Sábado, 13 de Setembro de 2008

Poemas marginais – por um instante de reflexão

Quatro poemas que tratam da vida no submundo da miséria, da desigualdade e da exclusão social.
Num mundo tão rico em recursos e possibilidades por quê alguns milhares de seres humanos ainda não se beneficiam do prazer de viver com dignidade?
Até quando nossa história será marcada pela miséria, o preconceito, a deseducação, a intolerância e tantas outras formas de nos mostrarmos mesquinhos e medíocres?
Sei que trago hoje um tema pesado e triste par o LerEver, porém acredito que temos que estar atentos e sempre nos lembrarmos que podemos e devemos melhor e muito nossa civilização.

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LÂNGUIDA VIDA

Um copo caído: Estilhaços.
Um corpo caído em pedaços.
Músculos minúsculos.

Vida medíocre retalhada.
Como o copo! O corpo!
A alma! Qual ao copo!

A lama lá, quão poço!
Numa réstia de razão
Num resto de reflexão
Cacos, estilhaços, destruição.

Elos de um cordão
Pedaços de desunião
Avançam sem ligação
Tantas mentes sem coração

Passa o tempo e a multidão
Lança olhares sem compaixão
Aos cacos e ao corpo roto no chão

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ANDARÁS SÓ! (PRAGA ROGADA)

Andarás só!
Andarás só!
Andarás mal acompanhado!
Andarás...
- SÓ!


Sol nascente,
Sol ardente,
Sol poente!


Andarás;
Andarás;
Andarás...
- SÓ!


De sol a sol,
De sol a sol!
Arderás... Sol!


Sonharás SÓ!
SÓ! Terás noites;
Claramente escuras;
Noites frias...
Noites!
Dormirás SÓ!


Sem amor;
Sem amizades!


Soledade;
Solidão!
Solitude;
SÓ! ...

... SÓ!
Mal acompanhado!
Andarás!
SÓ!
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MESSIAS E OS EXCLUÍDOS

Encimando o monte observou
O povo que servia a realeza
Arfando o peito soliloquiou:
- Eis os filhos da pobreza!

Caminhou entre eles
Ouviu queixas e blasfêmias
Indagou d’alguns deles
Tanto aos machos quanto às fêmeas

Quem seriam vossos reis?
Quem seria vosso Deus?
- Nossos reis, vós não vereis!
- Nosso Deus, nos esqueceu!

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NOSSA GENTE

A vida que leva esta gente
Dá água nos olhos de ver
Eu vou te contar como é ela, menina.
E em mim você não vai crer

É uma luta diária e infinda
Pra que a fome se possa vencer
É o assalto na próxima esquina
Pondo tudo isto a perder

Mas é farta a comida na mesa
Pra poucos sócios do poder
Que esmagam milhões de famintos, menina.
Pra lascívia não ter que perder

A cultura não deixa por menos
Mas isto é cabal se entender
Pois um povo instruído, obstante, menina.
Incomoda aos abusos de poder

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